SINDAEL - SINDICATO DOS TRABALHADORES EM ÁGUA, ESGOTO E SANEAMENTO AMBIENTAL DE LODRINA E REGIÃO


90,29% dos copelianos rejeitam proposta da empresa

90,29% dos copelianos rejeitam proposta da empresa

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Diante deste resultado, os Sindicatos solicitaram reabertura das negociações com a Copel e já avisaram que se não houver avanço os trabalhadores vão deflagrar greve

“Não à perda de direitos”. Esta foi a resposta dos copelianos à proposta da empresa que corta 1/3 do Abono de Férias e ainda propõe estabelecer modelo de remuneração variável. Em votação histórica, com a participação de 5.151 funcionários, 4.651 recusaram a minuta apresentada pela Copel e aprovaram paralisação no dia 6 de novembro caso a direção não retome as negociações.

A recusa é equivalente a 90,29% dos votos dos trabalhadores que participaram da votação. Agora, a Copel será informada desse resultado e os Sindicatos vão pedir a reabertura da mesa de negociação para apresentar novas demandas dos empregados.

A proposta da Copel rejeitada previa reposição salarial, Auxílio-alimentação, Vale-lanche e auxílio PCD reajustados pelo INPC do período (2,92%), retirada da cláusula que trata do Abono Salarial, retirada do Abono de Férias (1/3) e do piso de férias (com manutenção apenas o 1/3 constitucional). O presidente da Copel, Daniel Slaviero Pimentel, ainda queria implantar um modelo de remuneração variável.

“Neste ano, a empresa está propondo um modelo diferente por acreditar na transição de salário, mais PLR, mais abonos fixos para salário, mais PLR, mais remunerações variáveis. Eu tenho a convicção que a remuneração variável está em linha com as melhores práticas do mercado e que todas as empresas do setor elétrico fazem. Esse modelo é o melhor e mais moderno”, disse o presidente.

A proposta de perda de direitos acontece em um momento que a Copel bate recordes de lucros. No último relatório de resultados referente ao segundo trimestre de 2019, a apresentou um EBITDA ajustado de R$ 1 bilhão. O valor representa 30% acima de 2018. Já o saldo do primeiro semestre de 2019 atingiu R$ 2,1 bi, crescimento equivalente a 27%.

“Tenho satisfação em apresentar um trimestre com resultados sólidos e consistentes. Destaco a melhoria contínua da Copel Distribuição. É um marco na história da companhia”, declarou Pimentel a gestores e investidores.

O cenário positivo se mantém no terceiro trimestre deste ano. Em um Comunicado ao Mercado publicado na última terça-feira (22/10), a empresa destaca que o mercado fio da Copel Distribuição cresce 1,6% no terceiro trimestre decorrente do crescimento de 6,6% no consumo do mercado livre, resultado do avanço da produção industrial do Paraná.

Custos

A folha de pagamento não é um empecilho para a empresa para conceder reajuste. De acordo com “Relatório da administração e demonstrações financeiras de 2018”, a remuneração dos empregados custou R$ 904,2 milhões. Esse valor representa 6,1% da Receita Líquida.

Como comparação, a Cemig destinou R$ 1,4 bilhão com pessoal em 2018. Isso representa 6,3% da Receita Líquida da empresa mineira. Já a Celesc, com uma Receita Líquida de R$ 7,5 bilhões, destinou quase R$ 667 milhões com a folha de pagamento bruta, o equivalente a 8,8% da Receita Líquida. A Eletropaulo (Enel) destinou R$ 1 bilhão para o pagamento do pessoal. A Receita Líquida atingiu R$ 14 bilhões, representando 7,01% de gastos com pessoal.

Ou seja, a Copel tem espaço para investir em seus funcionários e se tornar ainda maior. No mesmo relatório de 2018, o presidente Daniel Slaviero Pimentel destaca que a empresa apresentou resultados econômicos sólidos e ampliou seus negócios. Num ano de transição política e com o quadro macroeconômico ainda em recuperação, a Copel apresentou Ebitda de R$ 3,1 bilhões, valor 9,4% acima ao do ano anterior, e lucro líquido de R$ 1,4 bilhão, um crescimento de 29,1%.

“Os resultados atingidos refletem o maior patrimônio da Copel, conjunto de mais de 7.600 colaboradores que não poupam esforços para mantermos um serviço de excelência, e que em 2018 nos colocaram entre as 150 melhores empresas para se trabalhar, pelo levantamento da Revista Você S/A”, reconheceu.

A rejeição a proposta aconteceu após longo processo de mobilização dos copelianos entre a formalização da pauta dos trabalhadores e a votação apurada no dia 24 de outubro. Diversas etapas foram percorridas, resultando em uma votação expressiva dos trabalhadores. Dos atuais 7.017 funcionários com direito a voto, 5.151 votaram, representando uma participação de 73%.

Em 2012, dos 5.840 trabalhadores que votaram nas assembleias realizadas em todo o Paraná, 4.249 (61% do total de votantes, ou 73,51% dos votos válidos) repudiaram o que a Copel ofereceu. Naquela época, a empresa possuía 9468 funcionários. Uma paralisação geral de um dia aconteceu em 22 de novembro, após 23 anos se ter ocorrido uma greve da categoria.

Resultado final da votação dos trabalhadores da Copel:

Sim: 495 votos (9,61%)

Não: 4.651 votos (90,29%)

Brancos: 3 votos (0,06%)

Nulo: 0 voto

Abstenção: 2 votos (0.06%)

5.151 votos válidos (73% dos representados pelas 11 entidades)

Mobilização

A construção da pauta unificada começou ainda em julho, quando os copelianos foram convocados pelos Sindicatos a participar de Assembleia Geral Extraordinária para deliberar sobre a pauta de Reivindicação do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho).

Posteriormente, a pauta dos 11 Sindicatos que compõem o Coletivo da Copel foi unificada em 30 de julho. A Pauta de Negociação foi protocolada junto à Copel no dia 31 de julho e deveria ter sido encerrada no dia 30 de setembro. Mesmo com o atraso das negociações, a diretoria da Copel deu garantia que o acordo vai retroagir a 1º de outubro de 2019.

As primeiras negociações começaram no dia 17 de setembro e foram até o dia 19 do mesmo mês. Em seguida, a empresa apresentou no dia 25 de setembro a minuta com sua proposta para o ACT com previsão de dois anos.

Após isso, os Sindicatos realizaram Assembleias em todo o Estado e em Curitiba no período entre 7 de outubro a 23 de outubro. Nessas Assembleias, os copelianos puderam avaliar a proposta da empresa e votar nas urnas de qualquer um dos Sindicatos que compõem o Coletivo.

Próximas etapas

A direção da Copel foi comunicada sobre o resultado da votação. A categoria deliberou também pela paralisação de um dia em 6 de novembro. Agora, os Sindicatos aguardam a reabertura das negociações.

Caso a empresa reabra a negociação, a manifestação pode ser suspensa. Se a empresa se recusar a negociar, além do ato no dia 6 não está descartada a deflagração de greve. Para isso, os trabalhadores devem permanecer mobilizados.

“Vamos nos unir para que na próxima negociação do ACT, sejamos mais fortes para lutarmos pelos nossos direitos adquiridos.”

Fonte: Coletivo de Sindicatos da Copel

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