SINDAEL - SINDICATO DOS TRABALHADORES EM ÁGUA, ESGOTO E SANEAMENTO AMBIENTAL DE LODRINA E REGIÃO


Salários x tarifas: estudo não leva em conta altas remunerações

Salários x tarifas: estudo não leva em conta altas remunerações

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Matéria divulgada na edição desta terça-feira (5/11) do jornal O Estado de S.Paulo, divulga resultados de um estudo que compara os gastos das empresas públicas de saneamento no Brasil com salários e os investimentos feitos. O próprio título: Tarifa de estatais de saneamento banca alta de salários, diz estudo” indica o teor tendencioso da matéria, dando a entender que a remuneração dos trabalhadores e trabalhadoras consome grande parte dos recursos obtidos com tarifas cada vez mais caras, sem, no entanto, fazer uma análise mais aprofundada do que realmente pesa nas folhas de pagamento dessas estatais.

De olho na tramitação do PL (Projeto de Lei) 3261/2019, que está tramitando na Câmara dos Deputados, vale tudo para jogar a opinião pública a favor da privatização do saneamento básico no Brasil.

De acordo com o jornal, com base no estudo feito pela consultoria Inter.B, com dados do Snis (Sistema Nacional de Informações de Saneamento), entre 2017 e 2017 as tarifas do setor subiram em termos nominais 30,7%, enquanto as despesas com os empregados teve alta, em média, de 26,9%. Já os investimentos feitos neste período caíram cerca de 3% e o volume de perdas de água aumentou de 36,67% para 38,3%.

Com certeza, esse estudo não leva em conta os reajustes aplicados pela Sanepar nos salários de sua área operacional, que nos últimos anos uma vez ou outra só tiveram aplicados índices acima da inflação acumulada. Com sucessivos PDVs (Programas de Demissões Voluntárias), os custos com a folha de pagamento deveriam cair, mas por que isso não ocorre?

Dividendos para os acionistas

É preciso lembrar, que a exemplo da Sanepar, a Cedae, a Saneago, ou até mesmo a Sabesp têm em suas diretorias pessoas indicadas por interesses políticos do governo de plantão, bem como um enorme número de comissionados, assistentes, gerentes e coordenadores que ganham altos salários, bem distantes do que é pago àqueles que pegam no pesado para gerar lucros e oferecer serviços de qualidade à população.

Quanto ao aumento das tarifas, também mencionado no estudo publicado pelo Estado de S.Paulo, mais do que os salários pesam na balança os interesses dos acionistas por um retorno cada vez mais gordo em seus investimentos.

Infelizmente a matéria não revela o quanto cresceram os dividendos pagos aos acionistas no período estudado. Este ano, a Sanepar distribuiu, a título de dividendos referentes ao exercício de 2018, R$ 97,7 milhões aos seus acionistas. Parece que esse dado não é relevante para quem defende a privatização total das empresas de saneamento, mas para quem paga a conta, com certeza, faz muita diferença.

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