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Por que os Sindicatos Majoritários não submeteram a proposta de ACT aos trabalhadores?

Por que os Sindicatos Majoritários não submeteram a proposta de ACT aos trabalhadores?

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Sindicatos Majoritários representam milhares de trabalhadores, o que impossibilita realização de Assembleia no atual momento para votar contraproposta do ACT apresentada pela Sanepar

Todo ano as negociações do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) entre os Sindicatos Majoritários e a Sanepar são emperradas por algum motivo. Em 2020 não está sendo diferente e a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) contaminou as discussões.

A pauta unificada de reivindicações foi protocolada no dia junto à direção da empresa no dia 18 de dezembro de 2019, mas a primeira rodada de negociação só foi agendada para o dia 11/02/2020, quase dois meses depois. Na ocasião, a Comissão de Relações Sindicais da Sanepar não apresentou nenhuma contraproposta.

Então, foi somente no dia 18/03, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) já havia reconhecido a disseminação pelo novo coronavírus como uma pandemia, que a empresa comunicou aos Sindicatos Majoritários seu posicionamento a respeito das reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras.

A empresa propôs reajuste de 3,92% nos salários e demais verbas e a celebração do ACT com vigência por dois anos, deixando sem garantia, por exemplo, o pagamento do Abono para 2021.

Essa questão, inclusive, foi levantada pelo representante dos trabalhadores no CA (Conselho de Administração) da Sanepar, Elton Marafigo. Ele alertou para o risco do Abono, tão esperado pelos trabalhadores, e também acredita que não dá para submeter a contraproposta da Sanepar a uma Assembleia por videoconferência.

“Nós sabemos que os Sindicatos Minoritários já aprovaram a contraproposta da empresa, só que a condição deles é muito diferente dos Majoritários. Nós representamos milhares de trabalhadores, muitos sem condições de acessar a internet, enquanto eles representam profissionais de várias categorias, muitas com pisos salariais já definidos e outros direitos assegurados”, argumenta Marco Antonio de Paula Santana, presidente do SINDAEL.

Intenção da empresa era fechar Acordos de uma só vez

Segundo Marco, ao que parece intenção da Sanepar era fazer um “combo” para aprovar de forma conjunta o ACT, PAI (Programa de Aposentadoria Incentivada) e o PPR (Programa de Participação nos Resultados), sabendo que todos estão aguardando ansiosamente o dinheiro que receberão para saldar seus compromissos.

“Só que a diretoria da Sanepar não contava com a pandemia, que jogou por terra a estratégia de fechar quase tudo junto. Como não ocorreu isso, a diretoria da Sanepar teve a ideia de fazer tudo por videoconferência e outros meios virtuais, só que nós, dos Sindicatos Majoritários temos que seguir o que estabelecem nossos Estatutos e, neste caso, as Assembleias têm que ser feitas de forma presencial, senão não tem validade jurídica”, ressalta.

Em relação à preocupação de alguns trabalhadores e trabalhadoras para a possibilidade de redução de direitos, em função da crise gerada pela Covid-19, o presidente do SINDAEL lembra que a Sanepar atua numa área não muito afetada pelas medidas de isolamento social.

“Como a captação, o tratamento e a distribuição de água, bem como o tratamento do esgoto são serviços essenciais, a empresa não parou. A população continua consumindo água em suas casas, até mais do que o normal para cumprir as medidas de higienização, então não dá para imaginar que a Sanepar queira alegar no próximo ano uma grande queda na arrecadação para negar ou cortar direitos, como o Abono de Final de Ano ou mesmo o valor do PPR, como está querendo fazer agora”, salienta.

Marco Santana orienta a todos a terem calma, garantindo que este posicionamento dos Sindicatos Majoritário não tem como objetivo prejudicar ninguém.